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Caminhão baú brasileiro — tabela de taxas do RCTR-C

KM 06 · Fundamentos do seguro

Tabela do RCTR-C: como as taxas do seguro de carga são calculadas

Toda transportadora que já cotou RCTR-C já ouviu essa pergunta de algum cliente: "por que essa rota é mais cara que outra do mesmo tamanho?" A resposta quase sempre esbarra numa confusão comum — a de achar que a taxa do seguro é calculada direto pela quilometragem rodada, como se fosse uma fórmula de combustível. Não é bem assim.

O ponto de partida: a Importância Segurada

Antes de falar de taxa, é preciso entender o que ela incide sobre. A Importância Segurada (IS) é o valor da mercadoria transportada, declarado no documento fiscal da operação — a Nota Fiscal, no caso do embarcador, ou o Conhecimento de Transporte (CT-e) e o Manifesto (MDF-e), no caso do transportador. É sobre esse valor que a taxa da rota é aplicada para chegar ao prêmio da viagem.

A tabela é por rota, não por quilômetro

Aqui está o ponto que mais gera confusão: a tabela oficial do RCTR-C não usa uma fórmula de custo por quilômetro rodado, como acontece, por exemplo, no cálculo do piso mínimo de frete da ANTT. Ela funciona por classificação de rota — normalmente organizada por par de estado de origem e estado de destino, com taxas específicas para cada combinação.

Ou seja: a distância entra na equação, mas de forma indireta, embutida na própria classificação da rota — não como um número que se multiplica diretamente pelo valor da carga.

O que define uma rota como mais cara, além da distância:
• Sinistralidade histórica do trajeto
• Tipo de carga transportada
• Perímetro urbano e metropolitano (taxa reduzida específica)
• Concentração em corredores críticos de acidente ou criminalidade

Na prática: um trecho com poucos agravos x um trecho com vários

Fica mais claro comparando dois exemplos hipotéticos lado a lado — mesma distância aproximada, taxas bem diferentes:

Trecho A — poucos agravos
São Paulo (capital) → Curitiba, carga geral (eletrodomésticos), sem histórico relevante de sinistro no eixo.

✅ Eixo consolidado, baixa sinistralidade histórica
✅ Carga de baixa atratividade a roubo
✅ Sem trecho urbano crítico na rota
→ Taxa próxima do piso da tabela
Trecho B — vários agravos somados
Rio de Janeiro → São Paulo, carga eletrônica de alto valor, passando por trecho urbano de risco elevado em ambas as pontas.

⚠️ Eixo de alta sinistralidade histórica (Rio–SP)
⚠️ Carga de alto valor agregado e alta atratividade a roubo
⚠️ Passagem por perímetros urbanos historicamente mais visados
→ Taxa significativamente acima do Trecho A, mesmo com distância parecida

O ponto central: os agravos se somam. Um trecho longo mas "limpo" (Trecho A) pode sair mais barato que um trecho mais curto que acumula vários fatores de risco ao mesmo tempo (Trecho B) — reforçando que distância isolada nunca conta a história toda.

Como o prêmio da viagem é montado

Juntando as peças, a lógica de cálculo segue esta ordem:

  • Identifica-se a Importância Segurada — valor da mercadoria na documentação fiscal da viagem
  • Consulta-se a taxa da rota na tabela vigente, pelo par origem-destino
  • Aplica-se o desconto negociado entre segurado, corretor e seguradora — esse percentual costuma ser fixo para todas as viagens da apólice, independentemente da rota
  • O resultado é o prêmio líquido daquela viagem específica

Essa lógica se repete viagem a viagem — é por isso que uma transportadora com rotas muito variadas ao longo do mês vê o prêmio total oscilar bastante, mesmo com o mesmo desconto contratual aplicado em todas elas.

Por que isso importa na hora de comparar corretoras

Quando um cliente compara duas propostas e vê preços diferentes para "a mesma rota", nem sempre a diferença está na tabela da seguradora — que costuma ser padronizada — mas no desconto negociado por cada corretora, no perfil de sinistralidade que a transportadora carrega para aquela seguradora específica, ou até na forma como a rota foi classificada na cotação. Entender essa composição evita comparação rasa de "quem é mais barato" sem considerar o que está por trás do número.

E quando é o TAC quem contrata direto?

Tudo isso muda um pouco de figura quando o autônomo (TAC) é contratado diretamente pelo embarcador, sem uma transportadora intermediária — um cenário com desafios próprios de subscrição no mercado.

Este tema está no nosso roteiro como KM 07.
📊 Planilha modelo: simule o cálculo do prêmio por rota

Montamos uma planilha didática que reproduz a lógica deste artigo — Importância Segurada × Taxa da rota × Desconto negociado — com uma tabela de taxas ilustrativa para você visualizar o cálculo na prática.

Atenção: os percentuais da planilha são exemplos para fins didáticos, não a tabela real de nenhuma seguradora. Para a taxa que vale na sua operação, fale com a Acesse.

Baixar planilha modelo (.xlsx) →
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a leitura das normas oficiais e das condições gerais das apólices.